OPINIÃO: “Em Família” chega ao centésimo capítulo sem grandes emoções e audiência catastrófica

Em Família

Júlia Lemmertz é Helena em “Em Família”

Enfim, “Em Família” chega ao seu centésimo capítulo. Motivo de comemoração para alguns, e tristeza para outros. Comemoram aqueles que já não aguentam mais ligar sua televisão e ver a novela de Manoel Carlos. ‘Choram’ aqueles que gostam da trama, e se apegaram ao estilo em que Maneco conduze suas novelas.

Em seu centésimo capítulo, “Em Família” se desenvolve em passos de tartaruga e isso ninguém pode negar. Entra capítulo e passa capítulo e parece que nada muda. Quer um bom exemplo disto? Há vários. Você podia ligar a TV em um dia, e daqui dois dias, voltar a assistir a trama, e veria Helena, personagem de Júlia Lemmertz, falando as mesmas coisas para o marido, para a filha Luíza (Bruna Marquezine). Entre as falas preferidas de Helena, estão as que ela fala das marcas do passado com Virgílio, personagem de Humberto Martins, e constata que Laerte (Gabriel Braga Nunes), desgraçou sua vida.

Um dos primeiros problemas de “Em Família” foi a escalação do elenco, que é criticada até hoje nas redes sociais. Na primeira fase da novela, Helena era jovem, enquanto Juliana, sua tia, já era casada há tempos e tentava engravidar. Mesmo que a diferença de idade das duas fosse pequena, notava-se que a tia de Helena era mais velha, no entanto, com a escalação de Vanessa Gerbelli, 11 anos mais jovem que Júlia, para o papel de Juliana ficou um tanto estranho ao olhos do público. Sem falar que, Felipe, irmão de Helena, na juventude era apenas alguns anos mais novo que a irmã. Com a escalação de Thiago Mendonça – 18 anos mais jovem que Júlia – para o papel deixou dúvidas.

Após 100 capítulos exibidos, a última novela de Manoel Carlos consagra-se como a pior audiência da faixa das 21h de todos os tempos, superando, até mesmo, o fracasso “Salve Jorge” (2012). No entanto, a trama de Glória Perez pegou uma época conturbada na audiência televisiva, já “Em Família” pegou uma ótima época para seu desenvolvimento.

A questão é que, diferente de outros autores da geração antiga, como Aguinaldo Silva, Gilberto Braga, Glória Perez, entre outros, Maneco não se habituou ao público contemporâneo. Os telespectadores não têm mais paciência para acompanhar tramas que se arrastam, e preferem tramas mais ágeis e repletas de viradas. Isso explica o sucesso de “Avenida Brasil” (2012) e “Fina Estampa” (2011). Manoel Carlos não entende que o telespectador quer ver apenas o ‘osso’ da cena, aquilo que lhe interessa, e, fazendo tudo ao contrário, o dramaturgo aposta em cenas longas, com diálogos longos – estes, sem sobras de dúvidas, são de ótima qualidade e o autor sabe desenvolver muito bem –, e situações cansativas.

Uma das coisas que sempre esteve em alta, no entanto, não enxerga-se em “Em Família” é a presença de um grande vilão. É quase impossível gerar uma história de qualidade, sem aquele que praticamente, muitas vezes, é o dono da situação. E não é por falta de capacidade que Maneco não incluiu um malvado em seu folhetim, visto que o novelista criou vilãs inesquecíveis para a teledramaturgia brasileira, são elas Branca Letícia (Susana Vieira) de “Por Amor” (1997), Alma de Albuquerque (Marieta Severo) de “Laços de Família” (2000) e Márcia Toledo (Lília Cabral) de “Páginas da Vida” (2006). Em “Em Família” temos Shirley, interpretada pela brilhante atriz Viviane Pasmanter, mas esta não pode ser julgada como vilã, uma vez que suas maiores ‘maldades’ são comprar quadros nos leilões de Helena, para mostrar que tem grana, e chamar a filha de gorda.

Outro problema identificado no folhetim é o casal homossexual. O público rejeita o romance lésbico protagonizado pelas personagens de Giovanna Antonelli e Tainá Muller. Mas não é por preconceito. Ora, analisemos. Clara é uma mulher casada, tem um filho e uma vida estabilizada. Então, eis que surge Marina, uma fotógrafa que se apaixona por Clara, e a dona de casa parece retribuir. Marina é tida como uma ‘destruidora de lares’ aos olhos do telespectador. E para ajudar a piorar, Cadu (Reynaldo Gianechini) tem uma doença cardíaca. Obviamente o público rejeitaria essa trama, mesmo que ao invés de Marina ser uma mulher, fosse homem.

Em busca de aumentar a audiência de sua novela, Manoel Carlos entupiu “Em Família” de cenas quentes, a maioria envolvendo Bruna Marquezine. Além de barracos, a grande maioria protagonizados por Helena, Laerte e Virgílio, sendo que os dois últimos volta e meia trocam porradas.

Ainda faltam menos de 50 capítulos para o desfecho da trama, no entanto, dificilmente “Em Família” fechará com uma média-geral superior aos 30 pontos no Ibope. Até o capítulo 99, o folhetim acumula uma média de 29.05 pontos.

Não podemos negar, é claro, que “Em Família” está dando chances a grandes atores brilharem, são eles os veteranos Júlia Lemmertz Bruna Marquezine, ambas com sua primeira protagonista, Viviane Pasmanter, como a divertida Shirley, Humberto Martins, como o pacato Virgílio – um dos papéis mais difíceis da trama -, Natália do Vale, interpretando a romântica Chica, Ana Beatriz Nogueira, vivendo a amargurada Selma, e os estreantes Polliana AleixoMarcelo Mello Jr.Bruno Gissoni, Érika Januza, entre outros.

É uma pena que Manoel Carlos, autor de incontestáveis sucessos como “A Sucessora”, “Baila Comigo”, “Felicidade”, “História de Amor” e “Mulheres Apaixonadas”, encerre sua carreira com uma novela lenta e fracassada como “Em Família”, sem personagens queridos pelo telespectador, e sem grande êxito de público.

E VOCÊ, O QUE ACHA DE “EM FAMÍLIA”? DÊ SUA OPINIÃO.

“Caro leitor, vale lembrar que este artigo é uma coluna de opinião, em que o autor do texto expõe suas opiniões sobre o programa, e não uma matéria sobre o mesmo. Você pode compartilhar suas ideias, mas sempre respeitando a liberdade de expressão” — Att, FAROFATA.