“Amor à Vida”: repleta de erros, porém, uma novela boa

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“Amor à Vida”: tramas boas, diálogos nem tanto.

Exibido hoje (31) o último capítulo da novela que marcou a estréia de Walcyr Carrasco na faixa das 21h, chegou a hora de fazer um balanço da trama que parecia não ter fim.

Com os baixos índices de “Salve Jorge”, o público, fãs de novela, viram-se empolgados com a estréia de “Amor à Vida”, que mostrava uma trama realmente interessante, com alguns clichês do gênero, mas uma trama bastante interessante, que prometia fisgar o telespectador. Ao irem as primeiras chamadas no ar, “Amor à Vida” prometia ser a novela do ano.

Enfim, a estreia ocorreu, com um primeiro capítulo eletrizante, que fazia o telespectador não conseguir desgrudar os olhos da tela antes do fim, a trama mostrou a que veio, e assim permaneceu até os primeiros dois meses. Com o decorrer da trama, Walcyr Carrasco parece ter perdido-se em meio ao seu texto. O autor fez uma trama tão ágil nos primeiros meses, que o telespectador mal podia respirar e uma nova situação já estava começando, a cada semana. Lá pelo quinto mês de “Amor à Vida”, não havia muita história para contar.

A história arrastou-se, situações cômicas tornavam-se repetitivas a cada capítulo: Valdirene tentando caçar um milionário, Perséfone querendo a todo custo perder sua virgindade, Félix repetindo o mesmo bordão cansativo “Será que eu salguei a Santa Ceia?”, Patrícia e Michel há toda hora e momento agarrando-se (em todos os lugares possíveis). Um humor tão infantil, que, às vezes, beirava ao constrangedor humor de “Zorra Total”.

Walcyr escreveu uma história realmente boa, não devemos tirar os méritos do autor, mas, por muitas vezes, em situações de extrema importância, o texto dramático do autor era infantil, e repetitivo. Por exemplo, em um capítulo, o telespectador ouviu mais de três vezes os personagens falando que o crime praticado por Félix – jogar a sobrinha em uma caçamba – já havia prescrito.

A redenção de Félix, realmente não foi necessária, ao ponto de vista do que vos fala. Félix era um vilão que havia cativado o público com suas maldades – mesmo com sua repetição de bordões -, e assim deveria ter continuado até o fim. Por fim Félix se redimiu e tornou-se um novo homem. Sem vilão, Aline tomou o posto de vilã principal do folhetim. Vanessa Giácomo estava impecável em cena, muitas vezes até roubando o posto de protagonista de “Amor à Vida”.

Mesmo com todos os erros e situações absurdas, “Amor à Vida” foi uma boa novela. O último capítulo da trama, sem dúvidas, estava emocionante. “Amor” entrará pra história como a primeira novela a exibir um beijo gay entre dois homens.

“Amor à Vida” trouxe, além de Félix, personagens inesquecíveis – pelo menos por um bom tempo -. Foram eles Márcia, vulgo Tetê Para-choque Para-lama, brilhantemente vivida por Elizabeth Savalla, Valdirene, que revelou Tatá Werneck como uma atriz de primeira, Niko, vivido por Thiago Fragoso, que, como disse o próprio autor, por diversas vezes tornou-se a heroína da história.

“Amor” provavelmente fechará com 35 pontos de média-geral, tornando-se a terceira pior audiência do horário nobre, ganhando apenas de “Salve Jorge” (2012) e “Passione” (2010).

A novela, de certa forma, vai deixar saudades, mas quem sabe, já que a Globo está com a mania de reprisar todas as novelas do Walcyr, não veremos “Amor à Vida” em breve no “Vale a Pena Ver de Novo”.

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